Simples ações do mundo real

Hoje caminhei pela rua sendo atravessado por rajadas de luz do sol. A touca que agora uso nesses dias tão frios parecia mais apertada do que o normal. Nas mãos, quatro envelopes com impressões em A4 do mesmo manuscrito. Algo me cruza a mente. A gente só faz as coisas quando está fazendo as coisas. Às vezes me contento apenas com uma atividade mental. As ações estão na mente e são uma ideia para o futuro. Mas sabe, isso muitas vezes já é suficiente. 

Até parece algo sólido por estar apoiado em um pensamento bem construído, desenvolvido. Original. Mas o que notei é que a coisa toda acontece aqui. No sol. Com os papéis em minhas mãos. É assim que a coisa vai pra frente. Fechando envelopes, usando cola tenaz, realizando ações no mundo real.

Colando selos, apertando teclas. Sentindo a água suja da poça d’água que o carro amarelo jogou em mim.  Depois de sonhar por três anos, hoje levei até correio quatro envelopes com a parte inicial de O caminho espiritual da Bicicleta. Pequenas ações. Pequenas mudanças. Grandes mudanças.

Se você está envolvido mentalmente com algum grande e lindo projeto, é importante se avaliar constantemente para descobrir o que realmente está evoluindo. Você já deu um primeiro passo? Quem sabe chegou a hora de, aos poucos, começar a pensar no segundo.

Pequenas ações. Pequenas mudanças. Grandes mudanças.

Sobre trabalhar menos

Já faz mais de um mês que me propus o desafio de trabalhar menos. Para quem leu o desafio, deixei minha ocupação profissional de lado nas sextas-feiras. 
Passei os últimos anos trabalhando para outras pessoas. Isso não mudou muito quando larguei meu último emprego. Claro, de certa forma, tudo mudou para melhor. O que falo hoje é que meu modo de pensar continua o mesmo. Trabalhar menos não é vagabundear. Trabalhar menos significa trabalhar mais para mim e menos para qualquer outra pessoa.

Isso é mais difícil do que parece. Vagabundear com consciência não é tarefa fácil. Minha família toda está presa nessa armadilha chamada trabalho. Desde os 15 anos trabalho mais de 8 horas por dia, e faço “vistas grossas” a qualquer pessoa que opte por uma rotina mais livre. Por que isso? Lá em casa, aprendemos que a vida precisava ser ocupada assim. Meus pais aprenderam assim. Meus avós aprenderam assim. Essa lista vai longe mas não vale a pena procurar um culpado.

Nas experiências das últimas sextas-feiras, pude observar algumas coisas acontecendo comigo e se você tentar algo parecido, isso pode ajudar você.

  • A certeza de que não deveria fazer aquilo

Todas as manhãs de sexta, ao acordar, tinha certeza que precisaria trabalhar. Eu pensava que somente naquele dia, iria boicotar a experiência. Somente naquele dia, ia trabalhar um pouquinho. Mas o que eu fiz foi me cercar de outras atividades e, assim, me distanciar do trabalho. Ficar longe do computador. Tirar um tempo para meditar e depois disso fazer qualquer outra atividade em sequência. Essa dica é muito importante. Faça o que você planejou fazer, mesmo que, racionalmente, a situação mostre que seja impossível.

  • A semana foi mais produtiva

Com um dia a menos, todo o trabalho precisa ser entregue até quinta à noite. Consequentemente, meus dias foram mais produtivos. Em alguns dias, precisei trabalhar até mais tarde, mas sempre fiz isso pensando na recompensa: não trabalhar na sexta-feira.

Se você tiver essa oportunidade, faça a experiência de, com pequenas mudanças, sair aos poucos da rotina e diminuir seu ritmo. Experimente e se você gostou dessa ideia, compartilhe.

Agenda Minimalista para imprimir [Mês Junho]

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Finalizei a Agenda / Planejador Pessoal do mês com novidades!
Além dos habituais desafios 02, 06 e 15, inseri uma página extra com gráficos onde posso acompanhar meu rendimento. Além disso, agora o Planejador Pessoal do Pequenas Mudanças tem algumas perguntas importantes para reflexão sobre o mês e um calendário, caso seja preciso uma visão geral de Junho

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Caso tenha alguma dúvida ou sugestão de melhoria,envie um comentário.
Bom início de Mês

Shinryu

Minimizar o medo

Há poucos dias percebi que evito começar tarefas importantes por medo. Algumas poderiam mudar minha vida pra valer e pra melhor. E ter medo disso, já imaginou? Parece ridículo, mas é assim que acontece comigo. Acho que o termo “Zona de Conforto” pode estar adocicando coisas curiosas.
Manter tudo do jeito que está é confortável, gostoso. De repente, tenho algo importante para fazer e dou prioridade a outras tarefas. Preciso reagir diferente ao novo e o que faço? Repito atitudes do passado. Não consigo engatar a primeira marcha e ir em frente. Fico patinando, evitando, confundindo, trocando as bolas e procrastinando.
Em uma investigação pessoal, senti que fujo da raiz do problema, e reconhecer a origem do medo é revisitar minhas maiores incompetências.
Defrontar-se com uma incapacidade é como avistar uma tempestade chegando no horizonte e sentir imediatamente a tormenta no corpo. Os pássaros se recolhem, as formigas se escondem. O leão foge para a caverna. O corpo fica tenso, surge o frio na espinha, a respiração fica ofegante. Aqui surge a facilidade de não partir. De evitar, de mentir, de não cruzar o rio e seguir atuando em um ser que já é passado.
Notei que é possível minimizar e lidar melhor com esse sentimento. Veja o que funcionou comigo:

  • Aceitar o medo
    Tudo bem, isso que sinto é medo. Só isso. Está tudo tranquilo. Nada de ruim está acontecendo.
  • Perceber o que está escondido
    Pode ser difícil olhar em volta, mas enxergar o real é necessário. Perceba o mundo à sua volta. São apenas sinais ou existe algo de ruim acontecendo? Você pode se surpreender com isso.
  • Conte a respiração
    Essa é uma boa forma de voltar ao real e perceber a realidade. Observe sua respiração, conte, se necessário. Sinta seus braços, a temperatura e os sons do ambiente. Traga consciência para o seu corpo.
  • Avance
    Siga em frente apesar dos sinais negativos. Faça uma Pequena Mudança. Observe suas mãos, suas pernas, palavras. Elas podem começar qualquer ação. Atravesse o rio, vá para a outra margem. Não pare para assistir suas racionalizações.

Sentir e entender o que o medo significa no corpo é um pequeno passo para avançar e minimizar os apegos desse sentimento. Ele precisa existir em nós, mas não pode servir de substância para cargas de ansiedade e desculpas que inventamos para ficar na zona de conforto.
Siga em frente, avance. Com Pequenas Mudanças é possível criar a base para um vida mais simples e consciente. Basta começar com pequenos movimentos e seguir em frente. Nada vai acontecer.

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